Leminski
Escrito por Claudinei Vieira   
Sáb, 26 de Setembro de 2009 08:44


O Hóspede Despercebido
leminski
 
         Deixei alguém nesta sala
que muito se distinguia
         de alguém que ninguém se chamava,
quando eu desaparecia.
         Comigo se assemelhava,
mas só na superfície.
         Bem lá no fundo, eu, palavra,
não passava de um pastiche.
         Uns restos, uns traços, um dia,
meus tios, minhas mães e meus pais
         me chamarem de volta pra dentro,
eu ainda não volte jamais.
         Mas ali, logo ali, nesse espaço,
lá se vai, exemplo de mim,
         algo, alguém, mil pedaços,
meio início, meio a meio, sem fim.


Quem dera eu fosse um músico
 
que só tocasse os clássicos,
  a platéia chorando
e eu contando os compassos.
  Se eu soubesse agora,
como eu soube antes,
  a dança alegórica
entre as vogais e as consoantes!

INCENSO FOSSE MÚSICA

isso de querer ser 
exatamente aquilo 
que a gente é 
ainda vai 
nos levar além

RAZÃO DE SER

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece, 
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
 
guardanapo leminski


leminski
 
 
Ademir Assunção: "Paulo Leminski escrevia o tempo todo, em qualquer lugar. Nas noitadas em São Paulo, escrevia com freqüência em guardanapos de bares. Nunca vacilava diante de uma intuição – coisa que ele aprendeu com o judô, como vivia repetindo. Depois vinha a carpintaria. Disciplinadíssimo, ele trabalhava diariamente em cima das anotações. Podia tomar o maior porre - no dia seguinte, às 9 horas, estava diante da máquina de escrever. Durante anos guardei como uma relíquia esse guardanapo todo detonado com o poema Dionísio Ares Afrodite, que acabou publicado no livro póstumo O ex-estranho (1996). Não lembro como veio parar nas minhas mãos. Se não me engano, estava com meu amigo Rodrigo Garcia Lopes. Também estará na exposição, que abre para convidados no dia 30 de setembro, com a leitura de poemas Distraídos Venceremos. Alice Ruiz, Áurea (filha deles), Mário Bortolotto e eu vamos ler poemas do Polaco Loco Paca. Com iluminação de Marcelo Montenegro e projeções de Robson Timóteo."

EXPOSIÇÃO PAULO LEMINSKI, no Itaú Cultural, abertura dia 30 de setembro. Mais informações no blog do Ademir: ESPELUNCA http://zonabranca.blog.uol.com.br/
 
(obs. de Claudinei: os poemas e imagens encontrados pela net para compor este post foram escolha e responsabilidade minhas)  
 
 
 
 
 
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