PARABÉNS CLAUDINEI!!! FELIZ ANIVERSÁRIO PRA VOCÊ!!! Bem a calhar esse post de extraterrestres! Vai me dizer que não somos dois nesse mundo? Beijo, meu amigo.
| District 9 |
| Escrito por Claudinei Vieira |
| Seg, 24 de Agosto de 2009 08:35 |
![]() Não se estranhe se daqui a algumas semanas, uma série de avisos inusitados se espalharem pela cidade, avisando-nos dos lugares próprios e os impróprios para a permanência de extraterrestres. Ou da recomendação "Cuidado! Secreções não humanas podem corroer metal". Ou até mesmo a divulgação de um número de telefone para comunicar a presença de aliens indesejados. Provavelmente, a campanha não virá para o Brasil com essa massa toda, mas alguma coisa acontecerá. Tudo isso fez parte de uma das mais criativas e inteligentes campanhas de marketing para um filme, o que ajudou sem dúvida a 'District 9' estrear semana passada nos Estados Unidos em primeiro lugar nas bilheterias e, com três dias de exibição, simplesmente pagar seus custos de produção. A comparação com as campanhas de filmes anteriores como 'A Bruxa de Blair' e 'Cloverfield', que seguiram quase que essa mesma linha e foram estrondosos sucessos de bilheteria, pesando-se ainda o fato de terem sido produções de baixíssimos custos, é uma comparação natural e até inevitável. Como tudo mundo está repetindo, os trinta milhões de dólares gastos em District 9 é relativamente barato para os padrões hollywodianos e para o produtor Peter Jackson, com sua Trilogia do Anel, o King Kong, e etc. Com a arrecadação destes dias somente nos cinemas norte-americanos parece que a história vai se repetir. Há uns detalhes no meio do caminho, porém, que fazem com que 'District 9', com sua campanha e o resto, seja um tanto diferente. É que, independente do marketing, é um filme muito bom!, com roteiro muito inteligente, uma direção segura e emocionante, direção de arte exuberante e tremendamente eficaz. O resultado visual é impressionante, aquela nave gigantesca parada por sobre a cidade é de um realismo total. Se trinta milhões foram gastos, creio que 29 foram para essa nave. Mais importante que tudo, essas soluções técnicas, o uso da tecnologia não sobrepassa, não substitui a história. ![]() Há mais ou menos vinte anos uma nave alienígena foi apreendida, seus ocupantes foram retirados e alojados (jogados) em um gueto em Johannesburgo, na África do Sul. No gueto, o Distrito 9, eles são marginalizados, explorados, e humilhados. Em tom de documentário, o filme analisa as consequencias de sua permanência entre nós, conversa com a população local, revoltada por terem de conviver com os seres monstruosos, entrevista políticos e cientistas, discute os impactos econômicos e sociais. Ao que parece, o filme é baseado em um curta de seis minutos realizado em 2005, chamado "Alive in Joburg", por Neill Blomkamp, o mesmo que assumiu a direção do longa. Bueno, não assisti ao curta (não sei se ele está disponível em algum lugar; curtas-metragens sempre são mais complicados de se ver), mas estranhei um pouco não ver citado em lugar algum um filme que me parece extremamente próximo das propostas de 'Distrito 9': 'Alien Nation' (Nação Alien), de 1988, com um James Caan que tentava retomar o rumo de uma carreira que parecera tão promissora no início, experimentara um pouco de sucesso quando participou do primeiro 'Poderoso Chefão' e acabou estagnando. 'Nação Alien', aliás, não ajudou em nada na sua carreira... Aqui, os alienígenas foram renegados pelo seu próprio povo e abandonados na Terra, onde exercitam sua enorme capacidade de adaptação e se misturam aos costumes da Terra. Diferente de 'Distrito 9', eles até conseguem se aclimatar e se inserir na sociedade, apesar de lutarem o tempo todo contra o preconceito de serem um 'pouco' diferentes. A idéia é interessante, mas a realização ficou muito aquém da expectativa, além da produção ser pobre demais para suas pretensões. Não deu certo. Distrito 9 pegou essa premissa, recauchutou-a com os devidos dólares, preocupou-se bastante com a verossimilhança e inseriu questões sociais e de comportamento que, aqui sim, funcionaram muito bem. Quando a 'Bruxa de Blair' foi lançado no Brasil, muito do seu impacto de marketing tinha se desvanecido. Afinal, o maior mistério de sua campanha já havia sido revelado: nos Estados Unidos, durante meses, e em todas as mídias, principalmente pela internet (o primeiro grande aproveitamento das redes sociais virtuais pela indústria do cinema!) foi veiculado o desaparecimento de um grupo de estudantes, por uma entidade desconhecida e amedrontadora, do qual só teria restado um registro caseiro por uma filmadora pessoal. Entrevistas com conhecidos e amigos lamentando o sucedido aumentavam ainda mais a percepção de que aquela história era real, que havia mesmo a existência de uma lenda urbana que sumia com as pessoas. Nunca entendi por que as pessoas não ficaram zangadas quando descobriram que tudo não passava de uma encenação. Eu não sei. Talvez o fato da 'Bruxa' não ter me impressionado afetou meu julgamento. Mas, pô, saber que nada era verdade, só uma sacada inteligente de uns estudantes de cinema que souberam faturar por cima, e aproveitar de sua rede de relações virtuais para realizar o imenso boca a boca que se seguiu, brochou minhas expectativas. Com 'Cloverfield' foi quase a mesma coisa, uma onda enorme de meias informações e pequenos mistérios que foram sendo encaixados e revelados aos poucos, de forma muito inteligente pela produtora do filme atiçou a curiosidade e preparou o terreno para uma ótima acolhida para um filme que, se não chega a ser um Grande filme, pelo menos é bem interessante. De novo, quando chega por aqui a campanha já vem estragada, pois obviamente a estréia acaba com aquelas pequenas surpresas. ![]() Com 'Distrito 9', há uma enorme diferenciação. A questão aqui não é do suspense ou do mistério, ou da mera enganação do público, querendo fazê-lo crer em uma realidade inexistente. O que Peter Jackson fez (ou quem quer que tenha sido os responsáveis diretos pela criação dessa campanha) foi mexer com a expectativa de um modo diferente. Não se faz questão de tentar fazer com que as pessoas acreditem que realmente existem os extraterrestres. Dá isso como fato consumado. É um convite para que se entre em um jogo, o expectador fazendo parte da própria manipulação. Para que o jogo seja coerente e provoque uma sensação, ao mesmo tempo, de estranheza e de reconhecimento, a campanha mexe com os sentimentos reais de preconceito, de inadequação, incompreensão. O cartaz em um ponto de ônibus dizendo para tomar cuidado com os extraterrestres pois sua composição química pode corroer metais, provoca em um primeiro momento risada. No segundo momento, a estranheza e o reconhecimento persistem, ainda continuam, pois sabemos bem que cartazes semelhantes são dirigidos para outros grupos de seres humanos segregados. Mas diferente da 'Bruxa de Blair' e 'Cloverfield' não se corre o risco da frustração ou da baixa da expectativa quando se sabe que o cartaz se refere somente a um filme. E quando se sai da campanha e se assiste o filme e este corresponde, quando é um produto realmente bom, então, a satisfação é plena. É o que 'Distrito 9' promete e cumpre. ![]()
Comentários (4)
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e aee cara blz nos encontramos ontem vc mostrou seu livro achei interessante queria saber mais sobre entra em contato - 06-07-2010___ Renato...
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Oi Claudinei gostei muito de sua apreciação do meu trabalho. A Ana Rusche me enviou o link e na verdade fiquei emocionada com s... - 28-06-2010___ Claudi...
Anderson, essa é a maravilha das opiniões diferentes, cada um pode ter a sua, sem problemas, e por isso nem precisa se desculpa... - 28-06-2010___ Claudi...
cara Thania, discordo veementemente de ti. 'Mafalda' não é uma 'historinha' bacaninha. É sensacional e estupenda, engraçada e p... - 27-06-2010___ thania...
mafalda é uma historinha muito interessante. Pra contar ás crianças... que gostam de ouvir por isso é muito importante sempr... - 27-06-2010___ anders...
cara me desculpe, depois de assistir alguns filmes, gosto de procurar coisas na net e achei este site. tenho de vir a discordar... - 21-06-2010___ Julian...
Obrigada pela agilidade na resposta. Eu tenho o Garbo, do Barry Paris (comprei novo, pela bagatela de 10,00) e é excelente. Por... - 21-06-2010___ claudi...
Kichutes, Juliano! tens toda razão, tb tive vários. O kichute fez parte de nossa formação pessoal, intelectual e existencial. Q... - 21-06-2010___ Claudi...
Juliana, em relação à Louise Brooks, você só fez atiçar a minha própria vontade! Não conheço nada dela em português, tudo o que...




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