| INFILTRADO: Homem Magro |
| Escrito por Claudinei Vieira |
| Qua, 21 de Outubro de 2009 13:15 |
![]() INFILTRADOS (http://inphiltrados.blogspot.com/) é o nome do blog mantido pelo escritor baiano Mayrant Gallo que tem como tema a discussão sobre literatura e cinema policiais. Aqui cabe dos grandes clássicos à literatura contemporânea, dos filmes noir às séries de televisão, e claro, tudo isso bate perfeitamente com os meus gostos e tendências e, para quem me conhece, sabe bem o quanto eu já tenho escrito e apreciado o gênero. Pois o camarada Mayrant convidou-me a participar do blog e agora sou um dos Infiltrados, com imenso prazer. De vez em quando, vai rolar um texto meu por lá. E para iniciar os trabalhos, 'The Thin Man' 'O Homem Magro', de Dashiell Hammett, o escritor responsável por tirar o detetive dos salões de conversas etéreas e inseri-lo no meio da vida bruta cotidiana contemporânea. VAleu, Mayrant! Vamos trocar muitos tiros por aí, pode deixar! ******** ![]() O HOMEM MAGRO "O Homem Magro" ("The Thin Man") é o último de um total de apenas cinco romances de Dashiel Hammett que provocaram uma verdadeira revolução no mundo da literatura. Em um período de onze anos, Hammett modificou todo o conceito do que fosse um romance policial. Isto é, aquelas histórias em que um detetive supergênio, contando somente com a força do seu intelecto (e desdenhando do laborioso e incompetente esforço das forças policiais), resolvia seus casos simplesmente sentado no sofá e fumando cachimbo, foram de um momento para outro ultrapassadas e tornadas ridículas. Pela primeira vez, sentia-se que o detetive era uma pessoa de carne e osso que também apanhava, levava tiro ou ficava resfriado. Pela primeira vez, percebia-se que o mundo onde essa pessoa caminhava era o mesmo que o do leitor, com toda a sua violência, corrupção e feiúra. E que ele respondia na mesma moeda, tal qual o leitor adoraria também fazer se tivesse a mesma coragem, competência ou experiência. Experiência Hammett certamente possuía. Depois de passar anos trabalhando (ou tentando trabalhar) em empregos os mais diversos possíveis (de office-boy a estivador, de roteirista de Hollywood a professor de inglês), ele próprio foi detetive da quase mitológica agência Pinkerton, onde ficou mais de dez anos. Não foi lá um grande detetive memorável, mas quando percebeu que podia passar isso para o papel ... bem, foi o equivalente a um verdadeiro terremoto. ![]() Começou publicando contos em revistas de papel barato e grande distribuição, os chamados pulp fiction, termo que ficou famoso entre nós pelo filme do Quentin Tarantino, uma franca homenagem a este tipo de literatura. Em 1929 publicou seu primeiro romance, "The Dain Curse", que, na verdade, era um conto um pouco mais extenso do personagem principal de histórias anteriores, o detetive da agência Op Continental. Seu livro mais famoso é, sem dúvida, "O Falcão Maltês". De qualquer forma, foi o mais glorificado, incensado e copiado. E quando foi refilmado (pela terceira vez!) ajudou, de quebra, a alicerçar um novo gênero de filme, o Cinema Noir, alavancando a carreira do diretor John Houston e transformou em astro um ator de filminhos B, um tal de Humphrey Bogart. "O Homem Magro" foi publicado pela primeira vez em 1934 e se tornou um dos seus mais permanentes sucessos. Também foi filmado e teve várias continuações. Virou uma série de rádio (lembremos do grande poder de comunicação que o rádio possuía na época) que durou décadas e, quando a televisão começou a ocupar espaço, também virou uma tele-série. Foi uma fonte de renda constante para Hammett, pois viveu dos direitos autorais destas adaptações até o final da sua vida. Os personagens principais, Nick Charles e sua esposa Nora, esbanjam charme e simpatia, mesmo com sua cínica visão da realidade, enquanto transitam entre marginais do baixo mundo e festas na alta sociedade. Para eles, a linha divisória entre estes dois mundos é extremamente tênue. Sem querer entrar em uma discussão sobre qual seria sua obra-prima, Hammett está aqui em sua melhor forma. Os diálogos estão mais secos, cortantes e duros do que nunca, o humor negro sempre mordaz e cáustico, o timing e o ritmo da ação estão perfeitos. Para degustar ainda mais este livro, melhor não esquecer um bom copo de Martini na mão. Seco, obviamente. ![]() 'Thin Man' foi levado ao cinema com muito sucesso, em uma série de cinco filmes, já na década de 30. O carisma e o charme de Nora e Nick Charles reassistidos hoje ainda se mantém, muito por conta do trabalho e da atuação muito à vontade de Myrna Loy e William Powell, que introduziram um humor leve e um senso de aventura muito diferentes da ironia cáustica do original de Hammett, mas até que funcionam mararvilhosamente. Depois da publicação deste livro, no auge do seu sucesso e fama, respeitado pelos críticos e adorado pelo público, até sua morte em 1961 Hammett não escreveu mais uma linha sequer, exceto algumas paginas do que seria um novo romance (que, ironicamente, não parecia ser um romance policial). Discute-se muito a razão disso, muito embora a bebida tenha sido um motivo mais do que suficiente. Ele literalmente "bebeu" a fama e o dinheiro que foi possível ou que sua mulher permitiu. No final de sua vida, tentou desesperadamente escrever roteiros, peças de teatro que nunca foram levadas avante. Sua última grande atuação foi durante a perseguição do macarthismo quando disse não conhecer o nome dos contribuintes de um grupo com suspeitas de ligações comunistas, do qual ele era simplesmente um dos secretários da tesouraria. Mais "hammettiano" do que isso, impossível.
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No meu blogue tem tudo do palco (helenahutz.blogspot.com) beijo e té.